O fim dos tempos modernos

Sinopse: Neste livro Guardini tentou desenhar a traços largos a essência da concepção do mundo da Idade Média, já que o

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O FIM DOS TEMPOS MODERNOS

Volum�s publicados: 1.

O PERSONALISMO, de Emmanuel Mounier.

2./3.

AO ENCONTRO DA PALAVRA (I), ensaios de crítica

4.f5.

PRINC!PIOS

literária, de M. Antunes, S. ] . DUMA

de

POUTICA HUMANISTA,

Jacques Maritain.

6.f7.

INQUERITO AO MARXIS:.\10, de Pierre Fougeyrollas.

8.

INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE TEILHARD

9.

O QUE E A LITERATURA?, de Charles Du Bos.

DE CHARDIN, de C laud e Tresmontant.

10./11. MEDICINA E SOCIEDADE, de Miller Guerra. O REINO DA ESTUPIDEZ, de Jorge de Sena.

12.

13./14. ECONOMIA E SOCIEDADE, de François Perroux.

15 . / 1 6 POESIA, LIBERDADE LIVRE, de António Ramos .

Rosa.

17.

18./19.

A PESSOA E O BEM COMUM, de Jacques Maritain. CRESCIMENTO

ECONó:.\1ICO

E

SISTEMAS

SO.

CIAIS, de Mário Murteira.

20./21. INTRODUÇÃO AOS EXISTENCIALISMOS, de Em­ manuel Mounier.

22.

ANTOLOGIA

HISTóRICO-SOCIOLóGICA,

de

Au­

gusto Reis Machado.

23.

O FIM DOS TEMPOS MODERNOS, de Romano Guar. dini. a

segu�r:

SOCIALISMO VIVO, de

jules

Moch.

Romano Guardini

fim dos tempos modernos o

O TEMPO E O MODO, Livraria Morais Editora

Título original: DAS ENDE DER NEUZEIT (Werkbun·d-Verlag, Würtzburg)

Tradução de M. S. Lourenço

Capa da Sebastião Rodrigues

Com todas as licenças necessdrias D:reitos

de

tradução

para

a.

língua portu·guesa reservados por

Livraria Largo Lisboa

do

Morais

Editora

Picadeiro,

n

19154

Dedicado ao meu irmão Mário

NOTA PRSVIA

Os três capítulos d�ste livro tinham inicialmente a finalidade de servirem de introdução a um curso sobre as concep ções do mundo e do h omem em Pascal. Ao

longo duma grande int imi da de com o pe nsa mento do gra n de físico, psicólogo e fi lósofo da existência ·Cristã,

tornou-se-me cada sua posição

vez

mais clara a singularidade da

nos tempos modernos.

Pertence àqueles

cuj a situa ção é rea liz a d a no seu pe nsame n to e na sua vida; mas enquanto que um De sc ar te s - o gran de con­

se re aliza aí per­ E não só por q ue ele

temporâneo e adversário de Pascal feitamente, Pascal ultrapassa-os.

-

produz pensamentos e desenvolve atit u de s que

só no

nosso tempo revelarão o seu completo significado, mas porque já na formação dos tempos modernos toma uma posição crítica em rel ação a eles. Daí surgiu a questão de saber que espécie viveu

.

Q ue

de

época foi aquela em que ele

aconteceu quan d o

a

Idade Média declinou

e os tempos modernos aparecer a m ? Como se adaptou

.

10

ROMANO GUARDINI

Pascal a este fim e a este futuro? Assim, tentei dese­ nhar a traços largos a essência da concepção do mundo da Idade Média, a passagem às perspectivas e à forma de pensar dos tempos modernos e também à. imagem da existên cia que daí decorre . Isto pareceu tanto mais possível quanto em relação aos pontos decisivos os tempos modernos estão acabados; a forma de uma époaa só se torna completamente visível quando ela desaparece. E assim oferecia-se a perspectiva de poder traç ar o desenho sem cair na admiração ou na aversão pelo objecto. Isto condu zi a assim a uma tent a tiva ulterior: lançar o olhar para a época que se aproxima, ainda desco­ nhecida; mostrar quão profundamente se aperta o cerco que se produz por toda a parte e, por causa dele, que tarefas se impõem. E enquanto me parecia que Des­ cartes não tinha lugar nestes tempos que se aproxi­ mam, julguei ver que P ascal estava perto deles de uma maneira viva e segura. Não se falará aqui de Pascal; poder-se-á assim ter por deslocada a apresentação iso­ lada do que foi concebido para introdução dum curso sobre ele . Os meus amigos e os meus auditores foram de opinião de que também nesta forma esse trabalho podia ser útil - e sigo o seu conselho. Mas queria fazer notar que se trata de uma tenta­ tiva de. ver com justeza a situação comp l i c a d a e ainda muito instáve l do nosso tempo . E ass i m as reflexões que se segue m têm, nas suas referências, um carácter ainda bastante provisóri o .

O FIM DOS TEJfPOS MODERNOS

11

Apesar de todo o trabalho posterior, a primitiva estrutura interna ficou.

O leitor não encontrará por­

tanto um tratado, mas uma série de conferências dadas,

em primeiro lugar, no semestre do Inverno de 1947 f 48 na Universidade de Tübingen e, depois, no Verão de 1949 na Universidade de Munique. Ainda queria chamar a atenção para

o

facto de os

os que são desenvolvidos em «Briefe vom Comer Se:�>

pensamentos aqui apresentados se relacionarem -com

(1927), «Welt und Person» (1937) Schicksal»

1

1

e «Freiheit, Gnade,

( 1948) .

Trad. port. Mundo

e

Pessoa, L:vraria Morais Editora.



DA EXIST�NCIA E UIAGEM DO MUNDO DA IDADE MÉDIA

SENTIMEN"TO

I

Para desenhar a imagem, na qual o homem me­ dieval vê o mundo , coloquemo-nos preferentemente naqu ele momento em que ele e o homem da Antigui­ dade têm algo em corr:um: a ambos falta a represen­ tação de um todo infin i to (que hoje nos é familiar) coordena do no e.spaço e no tempo. Ambos vêem e, o que é mais importante, sentem o mundo como uma estru­ tura limita da , uma forma precisa e, p a ra usar uma imagem , como uma esfera . Mas no interior destas afinidades mostram-se dife­ renças significativas. O homem da An t :guid a d e não ultrapa s sa os limites do mundo. O seu sentimento da vida, o seu modo de representação e de pensamento detem-se no interior da sua estrutura e não põe a questão de saber o que poderá exi�tir fora ou para lá dela . Isto orig:na-lhe, em pri­ meira anilise, uma involuntária auto-limitação que receia ultrapassar determinadas fronteiras , uma von­ tade enraizada profundamente num Ethos antigo de

ROMANO GUARDINI

16

permanecer no que

lhe

foi designado. Mas , também e

sobretu do, porque lhe falta o ponto fixo fora do mun do, que

é

lhe

.

é necessár:o , para uma tal tentativa. O mundo

para ele o todo , de modo absoluto- sobre o que

apoiar pois a ultrapassagem? Podia-se

responder:

reali dade divina ,

sobre

a

experiência de

uma

que tra nscenderia este todo e que,

portan t o , esta ria fora dele , e que daria, a quem reco­

n:tecesse, um ponto fixo fora do mun do. Mas tal reali­ dade não conhece Na sua deus�s

e



o

homem da An tigui dade.

reEgiosa conhece um suprem o «pai dos

dos homens»; mas este também pertence ao

mun:io , com o abóbada do céu ,

de que

é

o

numen.

Conhece o poder do destino que actua sobre todos, mesmo sobre o s deuses s o'teranos; ele sabe duma jus­ tiça e stabelecida dirige

todo

o

e

duma ordem racional que regula e

acontecer.

Estas

potências

não estão

diante do mundo, mas constituem a sua ordem suprema. Enquanto

filósofo,

tenta pensar um deus absoluto

isento de toda a imperfeição. Mas isso também n ão leva para lá

dos

limites do mund o - e, no fundo ,

o

ele

não o deseja. Mais exac tamente, não pod e querê-lo, porque para isso também tinha que a ultrapassagem , o que não

é

'ter

antecipado



o caso. O ser puro de

Parménides , que pa rece afastado de todo mundo, constitui afinal uma

o· concreto do recondução d a multipli­

cidade dos objectos-de-experiência-possfvel a um último elemento permanecen te; profundamente

uma protecção contra

o tão

angustiante poder, exercido sobre

o

O FIM DOS TEMPOS MODERNOS

17

grego, do caráter efémero das coisas. O Bem, atrás das Ideias como ver­ dade d�fin:tiva, não se afasta do Universo, mas fica como seu elemento eterno: um além no in te r ior do todo último. O mot or imóvel de Aristóteles, que é ele pró­ prio imutável e provoca todas as modificações do mundo, só tem sentido em relação ao ser universal deste mesmo mundo em constante transformação. E o Supra-Uno, de Platina, resultado de um esforço extre­ mo para ultrapassar o mundo das c oi s a s e do homem, está ainda numa inseparável comunhão com ele: é a fonte donde brota necessàriamente a multiplicidade do existente e o termo ao qual regressa p e lo Eros e pela purificação. O h om em da Antiguidade não conhecia, pois, nenhum ponto exterior ao mundo: por isso não pode tentar considerá-lo e formá-lo. Vive nele sobre ­ tudo pelo sentimento e pela representação, pelo acto e pela obra. Todos os mov im entos que rea:iza, mesmo os mais afastados e que o conduzem para os domín[os mais longínquos, desenvQlvem-se no interior do mundo. Objectar-se-á talvez que, para poder re pres entar este mundo como uma forma precisa, é ne::essário tê-lo contemplado; e isto impl i ca um lugar que dê o afasta­ mento necessário. Mas, se tenho razão, não é isto o que se passa com o homem da Antiguidade. Ele não considera o mundo «de fora:., em nenhum sentido do termo, mas «de dentro�. A sua imagem do mundo é o resultado de uma auto-limitação, que afasta o infi­ nito caóti·co. e renuncia ao desmedido- e dum sentihomem

que Platão ainda descobre

ROMANO GUARDINJ

18

mento de harmonia para o qual o existente é sentido como «cosmos�, como beleza ordenada.

E

assim não .se tentará fazer o que

é

característico

da vontade me dieval: reconstruir o mundo como um todo e designar para cada ser um lugar de algum modo necessário. A vida guarda o carácter de liberdade. Isto revela-se sobretudo na religião. O mundo

é

experimentado como divino. Provém

duma archê, .duma origem interior,

e

percorre o cami­

a ordenação e o destino lhe determinam; o destino pertencem a ele próprio. Ele é o todo existente, a plenitude perfeita, nho que

mas a origem, a ordenação e

a

realidade absoluta;

não

só cmpirica

ou

historica­

mente, mas sobretudo como numen. O divino é

o

ele­

mento fundamental e misterioso do mundo. O homem está nele e ele está no homem: experimentar e afirmar isto, constitui a relação r eligiosa fundamental. São igual­ mente

divinas

as

várias

entidades

e potências do

mundo. É desta experiência que aparece o mito. Os mitos são formas e acontecimentos que interpretam o mundo e os seus elementos-

e também o homem

que, pelo poder do seu espírito, se coloca diante dele

e de novo volta a pertencer-lhe. E dão-lhe, assim, uma possibilidade de encontrar uma saída no existente. Estes mitos constituem uma unidade, não racional ou sistemàticamente, mas de uma maneira viva. Estão permanentemente em movimento; desenvolvem-se, mo-

O FIM DOS TE!IIPOS MODERNOS

dificam-se,

confundem-se uns com

19 os

outros,

trans­

formam-se. Com o tempo,

o

sentimento religioso afasta-se dos

fundamentos míticos e une-se a motivos filosóficos e

a finalidades éticas, mas conserva um cará.cter inde­ à finalidade e ao defi­

pendente. Falta-lhe a pretensão nitivo.

Segundo um outro

princípio de pensamento,

toma uma determinação diferente. A religiosidade de Empédolces é diferente da dos Pitagóricos. A de Par­ ménides é diferente da de Sócrates. teles,

Platão e Aristó­

o Pórtico e Plotino- cada nova

perspectiva

exprime uma convicção, mas muitas outras são pos­

síveis

e

assim tem-se a impressão de que o �spírito reli­

gioso tenta diversas possibilidades que o espírito filo­ sófico lhe abre

A

em

perspectivas sempre novas.

mesma mobilidade

é própria do trabalho cien­

tífico.

O espírito grego pergunta-se incessantemente. Ele pretende saber corno é

a

relação com o mundo. Nada

é fixo; tudo fica aberto. Qualquer maneira de consi­

derar os problemas é possível e pode até encontrar-se com quaisquer outras em polémica, desde que certos limites de cará.cter 'fundamental da polis o não proiba -

ve j a-se,

por exemplo,

os

processos de Anaxágoras

ou de Sócrates. Assim, procura e i nve sti ga.

Experi­

menta com os diversos pressupostos não sômente até que tenha finalmente obtido uma grande quantidade de conhecimentos,

mas também até

que tenha sido

ROMANO GUARDINI

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criada uma tipologia de todas as atitudes e de todas as concepções possíveis. Há coisas ·correspondentes na vida social e política. Produzem-se , nos diversos estados gregos , as insti­ tuições mais variadas, de acordo com os pressupostos geográ.ficos e étnicos. Uma arrumação compreensível dos indivíduos na polis junta-se a uma igualmente compreensível amb i ç ão política, Agôn. Rivalidades e lutas constantes conduzem ao extremo as formas con­ ti das nos pontos de partida históricos, mas abandonam­ -nas rà.pidamente por isso mesmo . Que os gregos não tenham conseguido agrupar a Hélade numa única orga­ nização p o lítica que no fundo não o tenham mesmo querido, embora estivesse aí a única possibilidade de sobr-evivência histórica, e que, ao contrá.rio , se tenham de struído em lutas sem sentido até que os macedónios, semi-bárbaros, tenham estabelecido uma espécie de uni­ dade, constitui uma objecção contra a sua forma de existência que a admiração ·n ão toma suficientemente a sério. Muito se poderia ainda mencionar e a mesma ima­ gem apresentar-se-ia sempre: uma liberdade de expan­ são do movimento da cultura e do homem, tão fecunda como perigosa, e que se desenvolve num substracto de fe nóm enos essenciais do seu ser ·e do seu pensamento. A propósito de uma única realização da Antigui­ dade se poderia ser tentado a fal ar numa organização total da existência, nomeadamente no estado romano. Ele empreende realmente a organização do corbis ter,

O FIM DOS TEJfPOS MODERNOS

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rarum» . Mas a disposição de espírito dos romanos é sempre tão realista, tão pouco inclinada a toda a teoria e, duma maneira no sentido antigo do termo : a fecundidade calm a , o desenvolvim�nto , a efectividade ; ela é bastante mais dura e mais áJrdua. Falta-lhe o orgâ­ nico no sentido do crescimento e da proporção ; é tudo obtido com muito esforço. O que ch e g a dela até nós não é um espaço para habi tar calma e seguramente ; antes pelo contrário, surgem-nos conceitos como ate­ lier de trabalho e campo de guerra . A obra humana do futuro - temos que voltar a isto mais uma vez - trará sobretudo uma característica : a do perigo. A fundamentação mais simples p a ra a ne­ cessi dade e para o sentido da cultura está no facto de ela produzir uma segurança . É aí sobretudo que se exprime a experiência do homem do passado, que via à sua volta uma natureza que não compreendia e que n ão dominava . Para ele a cultura significa tudo o que ocultava os po deres ameaçadore s e tornava a vida pos­ sível. A segurança cresceu gradualmente . A natureza perdeu o que tinha de estranho e de perigoso e tor­ nou-se, no domínio de bens inesgotáveis, numa infati­ gável força de recomposição e numa pureza original, tal como os tempos modernos a viram . Mas mais uma vez as relações se al t e r a r a m : na evolução da história,