A arte da guerra

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A arte da guerra

Table of contents :
Prefácio
Sobre a tradução
Cap. 1: Planejamento inicial
Cap. 2: Guerreando
Cap. 3: Estratégia ofensiva
Cap. 4: Disposições
Cap. 5: Energia
Cap. 6: Fraquezas e forças
Cap. 7: Manobras
Cap. 8: As nove variáveis
Cap. 9: Movimentações
Cap. 10: Terreno
Cap. 11: As nove variáveis de terreno
Cap. 12: Ataques com o emprego de fogo
Cap. 13: Utilização de agentes secretos
Notas
Epílogo 1: O paradoxo da Arte da Guerra
Epílogo 2: Todas as guerras do mundo

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Sumário Prefácio Sobre a tradução Cap. 1: Planejamento inicial Cap. 2: Guerreando Cap. 3: Estratégia ofensiva Cap. 4: Disposições Cap. 5: Energia Cap. 6: Fraquezas e forças Cap. 7: Manobras Cap. 8: As nove variáveis Cap. 9: Movimentações Cap. 10: Terreno Cap. 11: As nove variáveis de terreno Cap. 12: Ataques com o emprego de fogo Cap. 13: Utilização de agentes secretos Notas Epílogo 1: O paradoxo da Arte da Guerra Epílogo 2: Todas as guerras do mundo

Todo conteúdo original (em chinês antigo) é de autoria de Sun Tzu e se encontra em domínio público. A tradução do inglês é de Frater Sinésio (2013), usando como base a tradução clássica do chinês antigo para o inglês, feita por Lionel Giles (The Art of War by Sun Tzu, 1910). Texto revisado segundo as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Organização e comentários: Rafael Arrais. Esta é uma edição de Textos para Reflexão Para conhecer outras obras, visite o blog: textosparareflexao.blogspot.com Design e diagramação: Ayon Copyright © 2013 por Rafael Arrais (eBook para eReaders v1.0) Todos os direitos reservados (apenas para o prefácio, o segundo epílogo e as notas)

Prefácio HÁ ARTE NA GUERRA? Tudo começou quando descobrimos como plantar e estocar grãos. Foi então que deixamos de ser caçadores-coletores para começarmos a nos tornar “donos de terras”. Então, outros caçadores perceberam que era menos arriscado saquear a comida estocada de aldeias pacíficas do que caçar animais ferozes. E, finalmente, houveram outros guerreiros caçadores, talvez mais espertos, que se ofereceram para proteger as tribos em troca de um pagamento em grãos. Isto foi a origem dos exércitos e, de lá para cá, todas as guerras foram iniciadas por motivos muito parecidos. Embora os governantes e generais tenham tentado convencer aos demais dos motivos de suas guerras se valendo das lendas e propagandas mais elaboradas, a verdade crua é que continuamos fazendo guerra por interesse em recursos, territórios e riquezas. Se há eras atrás nos satisfazíamos com um saque de grãos, com o tempo as riquezas minerais, particularmente o ouro, passaram a ser o foco principal das guerras. Hoje em dia guerreamos por petróleo, o ouro negro, pelo menos até que ainda reste um barril que seja por ser extraído dos confins da terra. Isto por si só explica porque o primeiro mundo não se interessa em fazer “guerras preventivas” na África, onde temos ditadores tão ou mais sanguinários quanto no Oriente Médio. Mas no mundo árabe, como sabemos, há ainda bastante ouro negro. Enquanto houver petróleo, ainda haverá guerras por lá – quem sabe ainda tenhamos mais um século de conflitos... Depois, o que será? Lítio? Diamantes? Uma volta ao ouro? Tanto faz, os caçadores se tornaram sedentários, mas parece que ainda há uma parcela da alma humana que insiste em permanecer coletora. Abordando a guerra por esse aspecto, fica difícil imaginar onde Sun Tzu, lendário estrategista militar da China antiga, viu alguma “arte” nesta atividade. O grande paradoxo do seu célebre tratado, A Arte da Guerra, é exatamente o de expor os horrores da guerra enquanto aconselha a melhor forma de realizá-la.

A grande questão oculta nele, emprestada do taoísmo, é o reconhecimento de que a guerra é terrível, mas também inevitável, e o seu aconselhamento se dá precisamente numa abordagem de “suavização do horror”. Ora, se a guerra é inevitável, cabe ao bom governante e estrategista tratá-la com muita seriedade, e só enviar seus soldados para as batalhas que possam efetivamente ser vencidas. Em realidade, o que Sun Tzu nos ensina é que quase todas as batalhas já estão ganhas ou perdidas antes mesmo de haverem se iniciado. É precisamente o conhecimento das inúmeras variáveis envolvidas na guerra que faz os vencedores e os perdedores. Mas a excelência suprema ainda se encontrava em conhecer tão bem o inimigo ao ponto de conseguir vencê-lo sem que nenhuma batalha fosse necessária: seja pela diplomacia, seja pela propaganda, seja pelo suborno ou até por vias mais obscuras. Evitar o derramamento de sangue seria sempre uma estratégia superior, uma legítima arte. Era isto que também nos advertia o Tao Te Ching... Caso um rei peça conselhos a um mestre do Tao, que o seu conselho não seja “exibir a glória do reino pela força de suas armas”. Tal ação certamente encontraria uma reação. Toda força excessiva logo encontra outra força contrária. Sempre que um exército permanece muito tempo estacionado, o campo desaparece, e surgem os espinhos. Onde quer que se encontrem grandiosos exércitos, a colheita será pobre. O general virtuoso realiza o ataque decisivo, e retrai. Vence uma batalha, e poderia vencer ainda outras, mas este seria um risco. Ele não deseja alardear sua habilidade de estrategista, nem saquear e destruir todos os reinados em seu caminho. Ele entra na guerra por necessidade, jamais para exibir a força de sua armada, e nem mesmo pelo desejo da conquista.

Quando os homens recorrem à força excessiva, quando são violentos, eles logo envelhecem. Pois a violência se opõe ao Tao, e tudo o que se opõe ao Tao morre prematuramente. Esta é a “advertência contra a violência”. Tao Te Ching, verso 30 (tradução de Rafael Arrais) UMA OBRA MILENAR A Arte da Guerra (em chinês antigo, literalmente, “A Estratégia Militar de Sun Tzu”), é um tratado militar escrito durante o século IV a.C. pelo estrategista conhecido como Sun Tzu. O tratado é composto por treze capítulos, cada qual abordando um aspecto da estratégia de guerra, de modo a compor um panorama de todos os eventos e estratégias que devem ser abordados em um combate racional. Acredita-se que o livro tenha sido usado por diversos estrategistas militares através da história – dentre eles, Napoleão, Zhuge Liang, Cao Cao, Takeda Shingen, Vo Nguyen Giap e Mao Tse Tung. Trata-se de uma obra permeada pelo pensamento político e filosófico do Tao Te Ching. Ela também lembra o grande clássico taoísta na estrutura formal, composta por uma coleção de aforismos em geral atribuídos a um autor obscuro e quase lendário. Alguns taoístas acreditam que o Tao Te Ching seja a transmissão de um conhecimento antigo, compilado e elaborado pelo seu “autor”, e não exatamente uma obra totalmente original. O mesmo se pode dizer de A Arte da Guerra. Seja lá como for, ambos os clássicos têm em comum a estrutura geral formada por ideias centrais que reaparecem ao longo do texto em contextos diferentes. Embora se trate de uma obra milenar, ela continua surpreendentemente atual, sendo vendida por diversas editoras em quase todas as livrarias do país, e inclusive em muitas bancas de jornal.

Hoje, A Arte da Guerra parece destinado a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro migrou das estantes dos estrategistas militares para as dos economistas, administradores e CEOs. Quem sabe, sinal de tempos em que muitas guerras são travadas no campo das transações comerciais internacionais. O INCRÍVEL EXÉRCITO DE TERRACOTA O Exército de Terracota, Guerreiros de Xian ou ainda Exército do Imperador Qin, são nomes dados a uma coleção de mais de oito mil figuras de guerreiros e cavalos em terracota (espécie de cerâmica feita com argila cozida em fornos), em tamanho natural, encontradas próximas do mausoléu do primeiro imperador da China. Foram descobertas em 1974, próximas da cidade de Xian (que já fora capital de diversas dinastias da China antiga). A construção desse mausoléu começou em 246 a.C. e acredita-se que 700.000 trabalhadores e artesãos levaram 38 anos para completar a obra. De acordo com o historiador Sima Qian, na obra Registros do Historiador (c. 100 a.C.), o imperador foi enterrado em 210 a.C. juntamente com grandes tesouros e objetos artísticos, bem como com uma réplica do mundo onde pedras preciosas representavam os astros, pérolas, os planetas, e lagos de mercúrio, os mares. Pesquisas recentes detectaram altos índices de mercúrio no solo, comprovando a tese do historiador. A tumba fica perto de uma pirâmide de terra com 47 metros de altura e 2,18 quilômetros quadrados de área, mas ainda não foi devidamente explorada por se temer que a erosão provocada por chuvas possa vir a danificá-la. Hoje uma parte do mausoléu se transformou em museu, declarado patrimônio histórico mundial pela UNESCO, onde foram feitas muitas imagens inesquecíveis para documentários diversos. O observador atento irá perceber que há muitas estátuas com características tão únicas que se torna evidente que, muito provavelmente, cada guerreiro de Xian foi cuidadosamente esculpido por um artesão, ou seja: cada escultura foi feita pela observação direta de uma pessoa real, com seus trajes e armas e expressões faciais únicas.

Devido a beleza quase fantasmagórica desta incrível coleção, pensamos que suas imagens seriam o melhor complemento possível a esta obra. Portanto, lhes deixaremos agora com A Arte da Guerra em edição digital ilustrada com as imagens do Exército de Terracota. O editor.

Sobre a tradução Na língua chinesa escrita de estilo antigo, cada palavra, em geral, era escrita usando um único caractere (monossilábico); era um estilo muito mais conciso e literário do que a língua falada. Como A Arte da Guerra foi escrita no estilo antigo, o texto é extremamente conciso e não é de interpretação fácil mesmo para um chinês. O significado de cada monossílabo, no meio de uma série continua de caracteres sem pontuação, não surge espontaneamente; as frases têm uma estrutura mais difícil de detectar. As palavras que rimam sugerem as frases que estão presentes, mas nem sempre elas estão lá e nem sempre a estrutura fica perfeitamente clara. Sabe-se também que na época de Sun Tzu não havia uma escrita unificada, porque a China não estava ainda politicamente unificada, e que o significado e pronúncia de muitos caracteres se foi alterando com o tempo. Neste cenário, seria deveras complexo e pretensioso traduzir tal obra direto do original. Felizmente, no entanto, podemos contar com a tradução clássica de Lionel Giles para o inglês, publicada originalmente em 1910. Giles (1875 – 1958) foi um estudioso e tradutor britânico, filho de um diplomata, Herbert Giles, que atuou muitos anos na China e, sendo também professor de chinês, traduziu obras clássicas de Confúcio, Lao Tse e Chuang Tzu. Seu filho, portanto, apenas completou a extensa obra com a tradução do clássico de Sun Tzu. O tradutor.

1. Planejamento inicial

O líder inicia seu planejamento antes de tomar qualquer ação (I Ching) [1] Sun Tzu disse: A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É a matéria da vida e da morte, o caminho que leva à salvação ou à ruína do Império – é forçoso saber como conduzi-la da melhor forma. Não refletir seriamente sobre o que ela concerne é dar prova de reprovável indiferença no que diz respeito à conservação ou perda do que nos é mais querido, e isto não deve ocorrer entre nós. [2] Cinco fatores principais devem ser objetos de nossa constante meditação e de nosso cuidado, como fazem os grandes artistas que ao empreender qualquer grande obra têm presente em seu espírito aquilo a que se propõem, e aproveitando tudo o que veem e tudo o que entendem, não negligenciam adquirir novos conhecimentos e todos os recursos que possam conduzi-los ao êxito. [3] O primeiro destes fatores é o Tao, o segundo é o Tempo, o terceiro é o Terreno, o quarto é o Comando e o quinto é a Disciplina.

[4] O Tao é aquilo que faz o povo esteja em harmonia com o seu governante, de modo que estejam prontos para segui-lo para onde for sem temerem por suas vidas nem debandarem a qualquer sinal de perigo [1]. [5] O Tempo significa o Yin e o Yang [2], a noite e o dia, o frio e o calor, dias ensolarados ou chuvosos e a sucessão das estações. [6] O Terreno se refere as distâncias e indica onde é fácil ou difícil deslocarse, se em campo aberto ou através de lugares estreitos. Isto influencia as possibilidades de sobrevivência. [7] O Comando deve ter as seguintes virtudes: Sabedoria, Sinceridade, Benevolência, Coragem e Severidade. [8] Por último, a Disciplina deve ser compreendida como a organização do exército, as graduações e classes entre os oficiais, o regulamento das rotas de mantimentos e a provisão de material militar ao exército. [9]

Estes cinco fatores devem ser conhecidos pelo general. Quem os domina vence, quem não os domina será derrotado. Por isto, ao elaborar uma estratégia, deve-se realizar as seguintes perguntas, considerando cada resposta com extremo cuidado: [10] Qual dirigente é mais sábio e capaz? [11] Qual comandante possui maior talento? [12] Qual exército obtém as vantagens da natureza e do terreno? [13] Quais tropas observam melhor os regulamentos e instruções? [14] Qual lado possui superioridade militar? [15] Qual exército têm oficiais e tropas mais bem treinadas?

[16] Qual exército administra recompensas e castigos de forma mais justa? [17] Ao estudar cuidadosamente estas sete questões será possível prever qual lado sairá vitorioso e qual lado sairá derrotado. [18] O general que seguir o meu conselho certamente vencerá. Este general deverá ser mantido no comando. Aquele que ignora o meu conselho certamente será derrotado. Este deve ser substituído. [19] Mais do que prestar aos meus conselhos e planos, o general deve criar situações que contribuam para o seu cumprimento adequado. Por situação digo que se deve considerar a situação do campo, e buscar atuar de acordo com o que é mais vantajoso. [20] A arte da guerra se baseia na dissimulação. Por isto, quando tem a capacidade de atacar finja incapacidade, e quando as tropas se movem finja inatividade. Se um general está perto do inimigo, deve fazê-lo crer que está longe. Se ele está distante, deve aparentar estar próximo. Elabore iscas para atrair ao inimigo.

[21] Golpeie o inimigo quando ele está desordenado. Preparar-se contra ele quando você e suas tropas estão em segurança. Evite-o no período em que ele está mais forte. Se o seu oponente tem temperamento colérico, busque irritá-lo. Se ele é arrogante, trate de fomentar o seu egoísmo. [22] Se as tropas inimigas se acham bem preparadas após uma reorganização, procure desordená-las. Se elas estão unidas, semeie a discórdia entre suas fileiras. Ataque o inimigo quando ele não está preparado, e apareça quando ele menos espera. Estas são as chaves da vitória para o estrategista. [23] Acaso as estimativas realizadas antes da batalha indiquem uma vitória, é porque os cálculos, que devem ser cuidadosamente efetuados, mostram que as suas condições são mais favoráveis que as condições do inimigo. Se indicam derrota, é porque mostram que as condições para a batalha estão a favor do inimigo. Com uma avaliação cuidadosa pode-se obter uma vitória: sem ela é praticamente impossível. Aquele que não realiza planejamento algum terá chances ínfimas de vitória. [24]

Com base neste método pode-se examinar qualquer situação de conflito e definir o resultado com grande clareza e precisão.

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